Ideário

''O meu sistema? Simplicíssimo: deixar aos jovens plena liberdade de fazer o que mais lhe agrada. O problema é descobrir neles germes de boa disposição e procurar desenvolve-los''. D. Bosco


No início do novo milénio, João Paulo II convidara a “Fazer da Igreja a casa e a escola da comunhão”. Segundo o estilo salesiano “a proposta do Papa articula-se nestas linhas convergentes e recíprocas 

- discernimento-acompanhamento
- evangelização
- educomunicação
- interculturalidade

que serão consideradas na sua intrínseca relação como dimensões da nossa proposta educativa.”

 

Discernimento-acompanhamento

O discernimento-acompanhamento parte da consciência da unidade da pessoa para a orientar e acompanhar no caminho da realização do projecto de Deus sobre ela, em comunhão com todos os que estão comprometidos na construção da história.
O discernimento pressupõe, em primeiro lugar, que a pessoa esteja habituada a fazer opções vitais e para a vida, que possua o hábito de procurar e escolher tudo o que dá vida a si própria e aos outros. A opção pela vida manifesta-se de diversas maneiras. Uma das possíveis manifestações é a auto estima positiva que se revela, entre as múltiplas atitudes, no trabalho equilibrado, na capacidade de repousar e de recuperar as forças físicas, na disposição para o diálogo e para o perdão, na abertura para descobrir o positivo em tudo e em todos. Tudo isto exige uma mudança radical na pessoa e no seu comportamento
Somos solicitados a desenvolver, no interior da comunidade educativa, atitudes que nos tornem companheiros de caminho e pontos de referência significativos junto dos jovens e crianças.
Acompanhamento -Uma sugestão do Sistema Preventivo muito repetida por D. Bosco é esta: “Estuda a maneira de te fazeres amar”, chama-lhe regra de ouro. D. Bosco não assume este lema no começo da sua obra. Com o passar dos anos dá-se conta da sua importância. Isto exige a presença dos educadores no meio dos alunos sobretudo nos recreios e actividades lúdicas. Só estando com eles nos apercebemos do muito que têm para dar, só abrindo-nos às suas perspectivas podemos ajudá-los a construir os seus sonhos, a realizar os seus ideais. Só estando com eles podemos prevenir o que de menos bom possa acontecer e crescer também nós deixando-nos questionar, discernindo em conjunto o melhor, entrando activamente no processo de acompanhamento onde ninguém pode ficar de fora. Só aí temos espaço para fazer propostas educativas que ajudem a assimilarem os valores de modo autónomo e construtivo.


Evangelização

A evangelização chega até à pessoa através da sua pergunta existencial sobre o sentido da própria vida, para a orientar pelo anúncio da Palavra e pela alegria da salvação em Cristo, em comunhão com todos os que crêem.
Como Comunidades Educativas de uma Escola católica e salesiana somos chamados a entrar no processo de Evangelização com o estilo de Jesus Bom Pastor. Hoje a forma concreta para viver deste modo é acompanhar pessoalmente os jovens com os quais partilhamos os momentos da nossa vida
D. Bosco e Madre Mazzarello ensinaram-nos a viver como crentes, na simplicidade do quotidiano, a fazer da vida de cada dia o lugar do encontro com Deus.
Esta espiritualidade do quotidiano é caracterizada pela capacidade de viver o presente com realismo e alegria.
O testemunho da amabilidade, o clima de família que promove a alegria e o desejo de viver, é a forma de evangelização salesiana.
S. João Bosco, e Santa Maria Mazzarello, estabeleceram uma relação educativa radicada na amizade e na confiança. Elas constituem a base da sua proposta educativa e evangelizadora. Trata-se de suscitar a correspondência do jovem. O afecto faz com que o jovem se sinta amado e aceite a proposta educativa; encoraja-o a dar o melhor de si mesmo.

 Educomunicação

A educomunicação considera os diversos meios de comunicação, tradicionais e novos, que influenciam a pessoa e sua visão de realidade, para sugerir estratégias que lhe permitam utiliza-los crítica e criativamente ao serviço da sua realização, em comunhão com todas as pessoas que trabalham por uma ordem social mais justa e mais humana.
Isto implica o trabalho a nível de comunicação humana pois somos o que emerge do nosso sistema de relações humanas. Mas se por um lado temos de tentar desenvolver competências que ajudam a manter amizades significativas, a comunicar de modo autêntico e directo, a desenvolver atitudes de escuta, a gerir conflitos de modo eficaz, por outro, não podemos esquecer os novos meios de comunicação pois eles formam um pensamento associativo que pode conduzir ao trabalho em rede, em colaboração.

Interculturalidade 

 A interculturalidade implica a consciência de que a dignidade da pessoa se alimenta no respeito à alteridade. A sua finalidade é adquirir as habilidades cognitivas e comportamentais que permitam viver entre as diferenças culturais e estabelecer relações serenas e frutuosas. Isso exige treino na arte da escuta, respeito pelas diferenças, gestão harmoniosa de conflitos e superação de preconceitos.